Apólogo

Apólogo

"O velho Torquato dá relevo ao que conta à força de imagens engraçadas ou apólogos. Ontem explica o mal de nossa raça: preguiça de pensar.
E restringindo o asserto à classe agrícola:

- Se o governo agarrase um cento de fazendeiros dos mais ilustres e os trancasse nesta sala, com cem machados naquele canto e uma floresta virgem ali adiante; e se naquele quarto pusesse uma mesa com papel, pena e tintas, e lhes dissesse:
"Ou vocês pensam meia hora naquele papel ou botam abaixo aquela mata", daí cinco minutos cento e um machados pipocavam nas perobas!... "

(Monteiro Lobato - Cidades Mortas)

quarta-feira, 25 de maio de 2016

TRINTA HOMENS

Trinta.
Vinte e nove
Vinte e oito
Vinte e sete
Vinte e seis
Vinte e cinco
Vinte e quatro
Vinte e três
Vinte e dois
Vinte e um
Vinte
Dezenove
Dezoito
Dezessete
Dezesseis
Quinze
Quatorze
Treze
Doze
Onze
Dez
Nove
Oito
Sete
Seis
Cinco
Quatro
Três
Dois
Um
Nenhum.
Eu tiraria todos - um por um - de cima de você neste momento irmã.  Eu limparia seu corpo, tiraria o som dos seus ouvidos, o cheiro deste lugar, as lembranças. Se o tempo voltasse, eu os impediria de terem saído de casa. Todos eles.
Eu desligaria os celulares, os computadores, tiraria baterias dos carros, dos ônibus. Eu faria feitiço, veneno, poção, dor de barriga para todos. Trinta.
Eu te levantaria daí e te levaria pra ver o pôr do Sol no Arpoador, se o mundo girasse ao contrário... Mas o mundo não gira.
Foram Trinta.
Um ex-companheiro e vinte e nove “amigos”. Nenhum deles se compadeceu. Vinte e nove seres humanos toparam se unir à um criminoso.
Trinta.
Trinta e um agora compartilharam. Trinta e dois riram. Trinta e três justificaram. Trinta e quatro se excitaram, trinta e cinco procuram o vídeo neste momento.
Agora o número se torna uma projeção geométrica. A misoginia aparenta infinita, o ódio e o machismo aparentam grandiosos demais. A primeira reação do público masculino em geral é ver o vídeo.
No entanto, quando pensei que fôssemos só nós duas, olhei para o lado e vi três, quatro, cinco. Achegaram-se seis, sete, oito, trinta.
Em segundos fomos noventa, cem, mil, somos milhares por você. Aquele som, aquele cheiro... Queremos que sua memória apague, mana.
E que o mundo nos ouça: “A CULPA NUNCA É DA VÍTIMA!”. Que ecoe.
Que ecoe: Daqui vocês não passam.  Não passarão.
Que cada uma de nós seja porta voz do ocorrido¹ e que nossas mãos sejam denúncia.
Na violência contra a mulher todas metemos a colher.
DENUNCIE.
No site do Ministério Público, Polícia Federal e disque 180. Mexeu com uma, mexeu com todas.


¹- Em tempo: Acaba de ser noticiado que uma garota “Bia” fora estuprada por 30 homens no RJ. O motivo é vingança do ex namorado, que convidou mais 29 “amigos” para estuprar a vítima. Nenhum se absteve, nenhum deles parou os amigos, nenhum saiu do local, nenhum deles se compadeceu com a vítima (que neste momento está hospitalizada).
Não obstante, filmaram o ocorrido, postaram no twitter e muitos outros homens compartilharam em suas redes sociais, fizeram piada e justificaram o crime.
Em segundos, milhares de mulheres se uniram na tarefa da conscientização de umas às outras, da denúncia formal, via PF, MP e Disque 180.
“O correto, nesses casos, não é denunciar o perfil do divulgador do material pela timeline porque isso ajuda a divulgá-lo. 
Ajudem a denunciar, copiando a URL dos twittes e colando nos locais de denúncia dos sites :
Na ouvidoria no site do Ministério Público do RJ (mprj.mp.br/cidadao/ouvidoria) É importante se identificar.
O Ligue 180 também é um caminho para denunciar.”


domingo, 10 de abril de 2016

O pagode brasileiro à margem da Esquerda eurocêntrica - Ou: A barreira quase intransponível da organicidade importada.

Ontem eu lí um texto de um camarada falando sobre Pagode, e dizendo que só foi conhecer Caetano Veloso na vida dele, quando assistindo ESTE vídeo (no 1:41)¹.
Dantes nunca tinha ouvido nem falar do homem.

Eu queria discorrer um pouquinho sobre isso, e sobre nossa Esquerda-eurocêntrica ou no máximo Esquerda-latinoamericana (quando latinoamericana significa Venezuela e Cuba).

Eu, que sou do ABC Paulista, e que toda a minha memória de infância está em 3 lugares:

1- Na minha rua sem saída (sinônimo de solidariedade entre os trabalhadores de São Bernardo do Campo - onde tudo se resumia à vida na rua, desde almoços coletivos, vizinhos que cuidavam da gente a noite quando os pais saíam, onde todo mundo era tio/tia, até os dias de semana em que havia revezamento entre os que nos levavam pra escola.) Tudo era realmente muito coletivo.

2- Na rua da minha tia em São Paulo onde eu passava os finais de semana e onde aprendí a ser corintiana vendo o futebol como instrumento de união na vida das pessoas. As pessoas sempre festejando, churrascos, cerveja, criançada, pagode², todo mundo carregando a mudança do fulano, todo mundo correndo atrás de repor a TV do ciclano que a perdeu com a chuva. A solidariedade brasileira em forma de lugar!

3- No interior de Minas, onde fiz os mais sinceros amigos, de novo, na rua, no buteco, nas rodas de samba na casa da minha vó, onde qualquer garfo vira batuque, e qualquer vacilo vira piada (não bullying - piada).

Eu que carrego essa bagagem e que vim pra BH me tornar militante (e também flertar com o Galão pelos motivos ja expostos aí em cima). Eu sei que o pagode está "en mis venas".

E eu acho incrível o camarada nos contar que conheceu Caetano por Alexandre Pires.
Eu acho Caetano um cara único, monstro, competentíssimo, eterno. Eu acho Alexandre Pires a mesma coisa. SIM. Competentíssimo no que faz.

E um segredo, pra mim, está no mesmo patamar o Grupo Pixote à Belchior (me julguem).

Eu acho que o grandessíssimo erro da esquerda regra geral é ser muito desinteressante. Desinteressante porque eurocentrica, desinteressante porque acha que "la revolución" vai se dar em terras tupiniquins ao som de Silvio Rodriguez e Mercedes Sosa.

Chega a ser chata mesmo. Chata porque pega um menino do movimento estudantil e bota ele pra ler apenas Lênin e Marx e nada de Monteiro Lobato.

Chata porque quando pós moderna, problematiza Monteiro Lobato, José de Alencar.

Chata porque nunca discute Macunaíma, mas compara Revolução Urbana carioca com a Parisiense.

Chata e fria quando atribui comandos de Reforma Agrária baseado via de regra à dinâmica da vida alemã.

Mais irritantemente descabida quando interpreta feminismo à lá “Femmen”, um grupo de mulheres brancas americanas e cosmopolitas, que NADA tem a ver com a nossa realidade.

Aqui é terra de Capitu, eu quero problematizar a vida da Tia Anastácia, e nem precisa vir com a frase de Emma Goldman sobre “dançar é minha revolução”.
Aqui nós já dançávamos meus amores, a barriga ta quente nesse tabuleiro desde a escravidão, e o que somos é Capoeira.

Aliás, enquanto as mulheres brancas se organizavam para o dia internacional e a redução de horas de jornada, a nossa tataravó estava em uma senzala, oxalá estivesse numa fábrica de tecidos.

A esquerda brasileira quando não nacionalista, reproduz o que o capitalismo mais faz conosco: Nos afasta de nossos pertencimentos e nos dita o que copiar.

Não por acaso as “roupitchas” de nossos militantes-quadros-iluminados imita a Europa camponesa. Eu quero ver liderança de boné de aba reta ter o mesmo espaço de fala.

Aqui é miscigenação "adoidada"! A diversidade nos faz ímpares.
Aqui não tem gueto estadunidense e nem há porque haver "lacração" em nossas falas ou militância individual. Isso não é nosso.

Aqui é terra de Maria Felipa, mulher sedutora e forte se unir à uma freira (Joana Angélica), e Maria Quitéria vestir a roupa do cunhado pra lutar e decretar independência da Bahia, (aposto que as três griataram por dentro: Vai Baêa minha pooorra), antes dos enfrentamentos.  Aqui é tudo misturado mermo.

Nosso país de Trombas e Formoso, Canudos, Tenentismo, Malês, mas também é resistência via geral do Maracanã, futebol e pagode dos anos 90. E nossa gente é patrimônio cultural por tudo isso!

O mundo inteiro olha pra nós e vê criatividade, e até quem é de reza sabe: Coração do Mundo, Pátria do Evagelho.
Nós somos fodas.

E mais que isso, sempre nos forjamos em coletivos que nos abraçaram. Portanto, enquanto não abraçarem nosso jeito de ser, enquanto a academia e os intelectuais dobram o nariz para nossos costumes e nossa música, não haverá diálogo que se sustente por muito tempo.

É neste ponto que a esquerda se perde, é bem por aí que os movimentos “auxiliam” as ocupações, mas não fazem parte dela. Não há representação, nem pertencimento.

A metodologia dos espaços de discussão nos traz à tona uma esquerda nostálgica, eurocêntrica, maçante e incapaz de se reinventar.

Portanto, deem o play e escutem o melhor dos anos 90. Reparem que no olhar desse negão vencedor eu vejo mais resistência que muito poema bonito de quem trata o negro como zoológico e produz “material de pesquisa”.



E para os intelectuais não se sentirem tão mal, ainda um segundo link³ com algo que pode os apetecer os ouvidos ou que dialogue minimamente com vossos corações mais frios que a armação de seus óculos:



¹- Só pra Contrariar – Final Feliz Aqui!

²- Ufa, podemos falar a palavra "Pagode", já que: "
A Lei Geral da Copa, deu à Fifa direito à tramitação acelerada dos pedidos de registro de marcas no INPI, logo, a FIFA, registrou  no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), a marca Pagode para proteger fontes de impressão, como a Times New Roman,  Arial, dentre outras. “Pagode”, é a fonte usada na marca do mundial de 2014. 
Ou seja, até 31 de dezembro de 2014, “Pagode” fazia parte do grupo de palavras, expressões e imagens que não poderiam ser usadas em nenhuma atividade comercial. Como por exemplo, Pagode da Boa do Arlindo Cruz."


³- Tom Zé – Complexo de Épico ou “Todo compositor brasileiro é um complexado” Aqui!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O Deus Branco que nos Perdoe.

 Estou a parir meu filho preto. Na maca onde a enfermeira impaciente empurra minha barriga. Me livro da dor pensando em seu futuro.
De uniforme e banho tomado ele desce a ladeira:
        - Cuidado ao atravessar a rua! (Ele olha pra trás e sorri)
- Não esquece a merendeira hein filho? - Tá mãe!!
- Esteja bem vestido (para não te confundirem ... com ladrão).
- Não erga a cabeça pro polícia. 

Vou franzindo a testa e abaixo o tom de voz:

- Ande com carteira de Trabalho no bolso e apresente-a sempre que abordado.
- Se quiser ter o cabelo colorido, será confundido com bandido. Se quiser homenagear seus ancestrais e fazer dreads e penteados, será chamado de vagabundo.
- Você poderá apanhar na cara – Por que mãe? Porque sim, Não revide
- Você sofrerá revistas vexatórias todas as semanas da sua vida. Porque sim.
- Você será chamado de macaco, "esse preto", "de cor".
- Não ande em grupos pra não ser confundido com arrastão.
- Estude filho, vão falar que as cotas o salvou, que é incapaz. Não dê ouvidos à eles.
- Se você se esforçar muito no trabalho, será chamado de "moreninho até que esforçado" e mesmo que te explorem e expurguem, e que seu salário seja menor que o de todos... usarão seu exemplo, pra justificar a Meritocracia canalha que nos imputam.
- Em qualquer furto na empresa você é o suspeito, filho. Sim.
- Você será mal visto o resto da sua vida na família da sua namorada branca. Porque sim também.
   Sua mãe vai sofrer violência obstetrícia no hospital. Porque é preta. Você vai nascer na contramão da vida. Porque alguma igreja um dia disse que não tinhamos alma. 
     Que nossa cultura era inferior, e mediram nossos dentes e nossas canelas. E nos deram um terço pra tentarmos nos redimir de termos nascido nessa cor.
     Quando acharam oportuno, vestiram nossos turbantes e se apropriaram da nossa capoeira. Quando não nos queriam mais, nos forjaram "livres" na Lei do sexagenário. E então fomos expulsos da escravidão para a escravidão real.
    Aqui estamos. Somos a história dos centros urbanos, filho. Fomos expulsos do modelo de cidade e do convívio entre pessoas. Nunca fomos pessoas.
     Da periferia pra periferia seguimos, expurgados.
   Não nos perguntaram onde construímos nossa vida, nossa raiz. Somos sem estória.. A cada despejo fomos para a região metropolitana que nos colocavam. Em cada plano de habitação que meia dúzia de engomados brancos escreveram, fomos encaixotados nos predinhos de 40m². Bem longe. Longe dos olhos dos gringos.
    Taparam nossas casas com tapumes pra Copa do Mundo. Botaram camburão na nossa quebrada, pra nos lembrar que desde "o fim" da escravidão, não sabem o que fazer pra tampar nossa existência.
    Vão te dizer que mesmo em Estado de Sítio, você tem direito à ir e vir no seu país (que seus ascendentes construíram lajota por lajota.. paralelepípedo por paralelepípedo).
   Mas você será executado à luz do dia filho. Na porta de casa. E eu vou lavar seu sangue.
   Você será metralhado com 50 tiros. Você e seus amigos pretos. Porque sim. Porque fazem parte da parcela da população que tem que ter regras pra estar vivo. Que é achincalhado desde o nascimento.
    Nos exterminarão todos os dias, todos os dias "um crime isolado".
    E jogarão a culpa no policial noiado, no indivíduo sob pressão, na legítima defesa. A sociedade não reconhecerá que são todos cúmplices da sua morte.
    Eles estão certos, agem em "legítima defesa". Te avisei pra não sair sem a carteira de trabalho filho. Aliás, nem deu tempo de mostrar né? Te avisei pra não encarar o polícia.... Também não precisou. É, não deu tempo.
    Vamos entrar pra estatística filho.
    Eles só tem a televisão. Só tem a visão longínqua e deturpada do que somos. Eles desligarão a TV quando incomodar. Eles não sabem de mim, nem de você.
     Só mais uma mulher sozinha parindo sob violência.
    Só mais um preto metralhado. O Deus branco que nos perdoe, somos sem alma.
#‎Podiasermeufilho .
Luara Colpa .


sábado, 14 de junho de 2014

Carta ao amigo William Rosa

Belo Horizonte, 14 de junho de 2014

"Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades
Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate o sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta"


    William, amigo que não se encontra mais entre os de cá.
    Hoje pensei diversas vezes em você. Lembrei-me dos primeiros dias do COPAC, quando sentamos para pensar o que seria o movimento, lá em 2010. Quando ainda alí na antiga salinha das Brigadas, tentávamos elaborar uma proposta de calendário de estudos semanais.
Aconteceria às terças. Iniciamos os estudos e eu pensei que seria fácil, mas não. Sua orientação era minuciosa, você sugeria que conhecêssemos a fundo a história de Belo Horizonte, assim me prontifiquei. Aprendí muito, como essa cidade foi planejada e como o capital se apropriou do espaço urbano para excluir os pobres, os pretos, os vadios, seja no nascimento da cidade, nos tempos de chumbo. Como a tradicional família mineira forjou esta cidade à seu modo, e como a localização territorial, a economia macro interferiria nesta que é a nossa Belo Horizonte.

    Os excessos policiais para com os negros, impedidos de ficarem no parque municipal, a elitização do centro da cidade, a exploração sexual tão disfarçada de glamour na época de Hilda Furacão, os capoeiristas do Floresta, os "vadios" debaixo do viaduto Santa Teresa, tão criminalizados, as prisões arbitrárias nesses locais e para estes atores somente.

    Por um momento, no dia de hoje, suspirei ao fechar os olhos e me encontrar novamente no mesmo cenário e sentí o quão pouco esta cidade forjada avançou.
Camarada, o projeto arquitetônico de BH, não por acaso se finda em 8 ruas centrais e congruentes. Não por acaso o cruzamento da Amazonas e Afonso Pena é estratégico pra dizer que alí, naquela "meiuca" de cruzamentos, seria o palco do ensejo à democracia, mas também carrega o resquício da cidade sitiada. Alí não há saída, as ruas desembocam no centro e o centro dá conta dos indesejáveis. Os loucos continuam compulsoriamente presos, as câmeras continuam caçando os pretos, pobres. As mulheres marginalizadas, os gays sofrem abusos nas madrugadas. William, tudo está como há 4 anos atrás, quando sentávamos para pensar quem se apropria do modelo de cidade-mercado.

    Mas hoje, especialmente hoje, meu caro, queria lhe dizer: A Copa do Mundo começou e nós do movimento que você ajudou a construir, estivemos sitiados. A polícia nos cercou com todo o aparato bélico, e com todo saudosismo de uma época de sangue. Você se lembra quando discutíamos como seria o Projeto de Lei que circundaria os estádios e proibiria o Ir e Vir da população? Pois sequer precisamos marchar até a "área FIFA", foi no centro mesmo. No coraçao central, no encontro das avenidas, em frente ao antigo teatro (agora revitalizado), alí,  onde nossos ascendentes foram expulsos pras periferias, alí onde tudo começou...

    Bem alí, na Praça que leva o nome Sete de Setembro, há exatos 10km do Mineirão. Todas as vias foram fechadas, não era "área FIFA", portanto, nõ haveria justificativa... Mas é "área capital, área cidade-mercado". Somos transeuntes na cidade mercado, estamos atrapalhando os negócios, estamos existindo, num espaço onde se deve “ter” e não “ser”. Eles não nos querem, nunca quiseram.

    Tivemos de nos reunir pra podermos andar metros ate a Praça da Estação, precisamos praticamente pedir "bença" ao Estado repressor para nos permitir ANDAR até a próxima praça, assim como os vadios precisavam pedir ao Estado um número que os localizava, assim como abaixo dos viadutos, nossos irmãozinhos de outrora precisavam de permissão para andar até a próxima estação.

    São tempos difíceis para nós, no entanto te digo por aqui, você esteve conosco.. Há uma ocupação muito bonita que leva seu nome, e os meninos do William Rosa são massa! Estão na luta! Sabem que aqui no palco é bala de borracha, mas na morada deles a bala é de verdade, no entanto estão aqui, e estamos com eles, e estamos com você!

    Me desculpe a falta de parágrafo e a escrita embolada (você sempre chamou minha atenção por isso, risos)...

Até a próxima!

Luara Colpa






terça-feira, 8 de outubro de 2013

A saga Kátia Abreu


É importante fazer uma análise rápida do que é, e para onde vai Kátia Abreu e compreender o que simboliza este ícone - que agrega os maiores latifundiários do Brasil -  à conjuntura atual, aos movimentos sociais do campo e ao governo bem como suas opções e articulações que, possivelmente alterarão os caminhos da economia do Brasil.

Sem querer tocar no assunto posicionamento político, violações de direitos humanos, crimes ambientais, exploração de trabalho e a lógica do agronegócio que expropria a cultura familiar camponesa e afasta dia a dia a possibilidade de uma Reforma Agrária no Brasil, vamos às contas lógicas:

Kátia Abreu: Senadora de Tocantins e representante do Agronegócio, a cara exposta da bancada Ruralista desse Brasil tem a seguinte passagem:

1- Fazia parte do PFL (Partido da Frente Liberal) e quando o partido desconfigurou-se e criaram o DEM, a atual Senadora fundou o PSD (junto à Gilberto Kassab).

2- No PSD, já no mandato Dilma, Kátia Abreu compôs a CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária - assumindo o cargo de Presidente).

3- Esta semana Kátia filiou-se ao PMDB, convite articulado pelo vice-presidente da República, Michel Temer - o que não agrada a todo o PMDB: Geddel Vieira Lima, hoje um dos vice-presidente da Caixa Econômica Federal, é um dos inconformados. Mas o que mais espanta os otimistas é a seguinte publicação:

Dilma Rousseff teria avisado ao seu vice, Michel Temer, que se o vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima, continuar discursando contra filiação da senadora Kátia Abreu ao PMDB perderá o cargo. De acordo com antigos peemedebistas, Geddel teria pedido para a presidente demiti-lo."E ele fala isso abertamente, e falou até para o Michel [Temer]", contou uma fonte do Congresso. ¹

4- Kátia compra brigas: A primeira com uma parcela do PMDB (liderada por Eduardo Cunha) que não quer perder a pasta do Ministério de Agricultura para a suposta candidata e que sustenta que Kátia Abreu age mantendo o partido como aluguel. Permanece influenciando o PSD (deixando seu filho Irajá Abreu no comando) e assim ficaria com "um pé cá outro lá"
A verdade é que mais dois ministérios devem cair no colo do PMDB (Veja em:  http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2013/9/19/psb-devolve-2-ministerios-ao-governo-dilma) e não a toa Kátia é convidada de Michel e Dilmar reforçando a vitoriosa coalizão de PT e PMDB.

Importante frizar ainda quem escolhe quem nessa dança das cadeiras (Veja em:  http://veja.abril.com.br/multimidia/infograficos/quem-escolheu-quem)

São 39 Ministérios com custo de 58 bilhões anuais aos cofres públicos, e pela troca troca de ministros o que percebemos é o verdadeiro balcão de cargos tanto no governo Lula como o de Dilma. Criaram pastas para agregar partidos à base aliada. 

5- Toda esta movimentação talvez soe com ar de normalidade nos dias de hoje e nas articulações e rompimentos propositais, feito entre compadres, mas esta, mais que outras que estão expostas tem significado especial.

Por que?

Os movimentos sociais no último decênio (principalmente os movimentos campesinos) ficaram engessados frente à política da Dilma e Lula, seja pelo chamado descenso esperado graças à política social do Bolsa Família e outros projetos populares, seja pela política macro de "desprezo" à opinião popular mesmo. Esta opção, correlata ao aumento de cargos nas secretarias que abarque os movimentos, cooptando lideranças, é agora o nosso maior desafio.

Dilma cala os movimentos sociais que compõem sua base, o PT nas instâncias estaduais segue a cartilha, oferece a chamada aproximação aos movimentos que por sua vez opta por aguardar quem sabe, uma secretaria que vá auxiliar a melhora de vida dos seus.. Esse aguardo sem fim permeia os dias de quem luta e pouco se constrói. No Brasil, no último governo foram apenas 86 desapropriações.

O que esperar?

É tempo de agitação nas ruas, após as manifestações de junho, estamos frente à Copa do Mundo e o povo provavelmente irá às ruas demonstrar sua insatisfação com o acordo firmado entre governo e FIFA. É hora dos movimentos irem às ruas, proporem o aglutinamento das pessoas em suas causas e reverterem esta situação. Com coragem, sem medo.

Os que ficarem à sombra de Dilma neste período, demonstram a sombra de Temer e logo do Agronegócio de Kátia Abreu.. A conta é simples e o resultado tão delicado quanto o momento que se vive.
¹ - 
http://www.portalct.com.br/blogct/2013/10/03/57263-eduardo-cunha-diz-que-katia-quot-usa-quot-pmdb-como-quot-aluguel-quot-nomeacoes-no-ministerio-da-agr

segunda-feira, 11 de março de 2013

O 8 de março

O 08 de março.

Me lembro muito bem de à esta data, por vários anos, ver meu pai entrar em casa com 3 rosas, para minha mãe, eu e minha irmã. Bonito dia em que haviam mais pessoas vendendo ou dando mesmo flores nos semáforos de Belo Horizonte. Na escola homenageávamos a Virgem Santa e os funcionários nos parabenizavam pelo nosso dia.

Mas eu, e minha irmã, éramos apenas duas crianças, mal sabíamos... o que representa ser mulher. Por estarmos num colégio católico, talvez fizéssemos idéia de que éramos a expectativa da materialização da doçura e beleza, e a contemplação de mulheres históricas fortes, mas imaculadas. Parceiras, mas obedientes, bonitas, mas tampadas.

Crescemos. Cada uma tomou um rumo na vida e em vários pontos divergimos. Mas temos algo em comum: Somos mulheres, sofremos no âmbito de nossos diferentes cenários de vida a flagelação de ser mulher, independente de convergirmos em qualquer debate, e que ironia convergirmos apenas na dor.

Este ano em especial prefiro me abster da minha flor "de direito" com a melhor das intenções de meu pai, também das congratulações quase maquinais dos funcionários de prédios públicos, me abstenho de receber parabens por manter a ordem das coisas como estão.

Falo isso, pois desde que sou criança e observo o mundo, ja ví muita coisa melhorar: As piadas em relação aos negros, caíram em desuso, raros são os que ainda riem. O debate homossexual, graças à bons militantes, têm sido levado em consideração, mesmo que minimamente, há maiores ganhos e respeito.

Mas às mulheres, não.
Não falo aqui de equiparação salarial, ou do avanço da Lei Maria da Penha, falo do dia a dia, da violência psicológica, de piadas, flertes, subjugação, preconceito, exploração, assédio moral e sexual.

Entre compadres da política, política ainda é para homens, e a mulher para futilidade e apelo sexual. É a máxima.

Com esperança, desejo muita força para as companheiras não no 08 de março que é dia bonito de luta, marcha nas ruas e flores, mas desejo força mesmo é no dia 09, quando a vida volta ao normal e somos ainda as vítimas do machismo, dos homens para com as mulheres e da competição das mulheres para com as próprias mulheres, numa rivalidade machista e deturpadora.

Que se perpetue um 8 de março não só para as imaculadas mulheres que nos serviam de referência, mas por todas: As mães, ás estudantes, às realizadas, às juizas, as marginalizadas as putas, as drogadas, as negras, as brancas, as vulgares, as felizes...

À todas que existem dentro de nós e um dia, quem sabe: ÀS LIVRES!!!
 
 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Nada causa mais horror à ordem


A consagração do belo trabalho da pequena atriz teria outra repercussão caso a mocinha tivesse nascido 2 tons mais clara. Sim. É um fato.

Quvenzhané é negra, e é mulher. E "nada causa mais horror à ordem do que mulheres que lutam e sonham" já diria J. Martí.
A pequena garota talvez esperasse o mundo aos seus pés diante do que representa a celebração do Oscar, mas não, ao longo dos seus 9 anos, ela - e todos os negros - cresceram ouvindo o que os brancos chamam de "piadas", mas é racismo mesmo!
Não seria diferente se no grande dia - assim como
em todos os outros de sua vida - ela sofresse o racismo fantasiado de "piada".

Quvenzhané não seria consagrada simplesmente pelo talento sendo mulher e negra. Com apenas 9 anos foi chamada em público de "cunt" (a pior ofensa da língua inglesa, que à nossa tradução significaria "boceta"), uma forma de adjetivar "de brincadeira, é claro" a mulherzinha negra que virou estrela.

Logo a ofensa foi retratada via twitter e seguida de uma justificativa: Seria apenas uma piada.


Em tempos de tanto apelo à liberdade de expressão (vedada principalmente na máquina capitalista), falar o que se quer só é permitido quando o locutor é um homem branco e a vítima, digo, ouvinte, um negro, ou uma mulher, ou um gay.

Para estes 3 seres, Há sempre o sexismo, o racismo, a misoginia, o ódio e preconceito transvestidos de "piada" de forma a assoprar o que se feriu.

Ando particularmente cansada de piadas. A vida, a dignidade das pessoas, a integridade física e mental não são condizentes com piadas. E ponto.

Quer o mundo conservador queira ou não.

Somos mulheres, somos negros, somos gays, somos transsexuais, somos  a escória da história mundial e ainda assim somos seres humanos cada vez mais capazes, apesar do mundo conspirar contra. Incomodamos.

A pequena estrela de Hollywood incomoda e isso é tudo.

O Papa caiu, negros e mulheres ocupam o espaço dos antigos senhores do patriarcado, na política, na arte, no judiciário.. Bons ventos nos trazem e os Senhores terão de nos engolir!


___________________________

* Segue abaixo a memorável fotografia de Dorothy Counter, primeira mulher a frequentar a escola nos EUA em setembro de 1957, sob deboches e piadas. Qualquer semelhança...





Luara Colpa





terça-feira, 10 de maio de 2011

I Seminário do Comitê Popular dos Atingidos pela Copa BH

Publicado em por Atingidos pela Copa 2014 - BH 


A realização da Copa 2014 é apresentada pelas entidades oficiais e pelo governo como uma grande celebração da estabilidade econômica que o país vem alcançando. Aproveitam-se da paixão do Brasileiro pelo futebol para criar um clima de oba oba, e tudo é festa.
No entanto, as exigências da FIFA para a realização dos jogos ultrapassam leis estaduais, municipais e até mesmo a Constituição Federal. Somados a isso, políticos e empresários mal intencionados aproveitam a oportunidade para privatizar prédios e terrenos públicos, e lesar os cofres públicos com obras superfaturadas. Não é esta a Copa que queremos para o Brasil e só com grande participação popular é possível interferir nestes eventos.
Buscando articular diferentes setores da sociedade e estreitar laços entre todos aqueles que, direta ou indiretamente serão atingidos por esse Megaevento, o Comitê Popular dos Atingidos pela Copa 2014 (COPAC) convida para o seu primeiro Seminário, oportunidade para discutir os impactos da Copa 2014 no Brasil e particularmente em Belo Horizonte. O evento será realizado no auditório da Faculdade de Direito da UFMG (Avenida João Pinheiro, 100 – Centro) nos dias 13 e 14 de Maio. No dia 15 de Maio, domingo, será realizado a Copelada, um campeonato de futebol com times amadores na Praça da Estação, a partir das 15h.

Confira a programação e venha participar você também!

> PAINEL 1 | 13/05 (sexta-feira) | 18:00h
Os Megaeventos e as violações aos direitos humanos e sociais

> PAINEL 2 | 14/05 (sábado) | 09:00h
A Cidade de Exceção e a Copa do Mundo

> PAINEL 3 | 14/05 (sábado) | 11:00h
Mobilidade Urbana para quem?

> PAINEL 4 | 14/05 (sábado) | 18:00h
Impactos de econômica e urbanística decorrentes da realização do Mundial da FIFA no Brasil

> GRUPOS DE TRABALHO | 14/05 (sábado) | 14:00h

> COPELADA | 15/05 (domingo) | Cadastramento dos times 15:00h | Início dos Jogos 16:00h | Praça da Estação
Forme um time de 5 jogadores e venha jogar uma pelada no espaço público!

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terça-feira, 3 de maio de 2011

Movimentos sociais ocupam prédio do IPSEMG.

Na manhã da segunda-feira, 02 de maio, militantes de diversos movimentos sociais, liderados pelas Brigadas Populares e com a participação do Comitê Popular dos Atingidos Pela Copa 2014, ocuparam o prédio do IPSEMG na Praça da Liberdade.



A ação foi construída para denunciar os desmandos do Governo Estadual e divulgar a licitação fraudulenta realizada recentemente e atualmente investigada pelo Ministério Público. Na licitação, que só teve um concorrente, a rede de hotéis fasano conquistou o direito de explorar o prédio por 35 anos pagando 15 mil reais mensais. O prédio ainda tem alguns funcionários trabalhando, mas a grande maioria já foi transferida para a cidade administrativa.

Com a licitação, o prédio que é público e faz parte do conjunto arquitetônico da Praça da Liberdade, será transformado em um hotel de altíssimo luxo, administrado pela iniciativa privada, lesando o povo em prol de particulares. Por isso é importante que a comunidade se mobilize e não admita tal arbitrariedade. O Ministério Público esta estudando o caso e avaliando as irregularidades da licitação. Nessa hora é importante a pressão popular! Estas informações saíram precariamente na mídia e logo foram abafadas. O Senador Aécio é amigo íntimo dos Fasano e segundo indícios, trabalhou para manipular a licitação.

Esta ação é apenas o início do que vem por ai. A Comunidade Camillo Torres está em ameaça de despejo em uma ação de reintegração de uma posse, que nunca existiu. A articulação entre o judiciário e o executivo impediu qualquer tentativa de se manter a ocupação, que é legítima e organizada em terreno público que não era usado. Misteriosamente este terreno passou a ser de posse da Victor Pneus, empresa que nunca utilizou a área.

As Comunidades Dandara e Irmã Doroty também estão em situação semelhante. Além da Mata dos Wernek, da Mata do Planalto e outros prédios público que podem do dia para a noite serem passados para a iniciativa privada. Não podemos ficar de braços cruzados enquanto o patrimônio público, que é de todos nós, é doado para os amigos dos governantes. E todas as ações são justificadas como obras para a Copa 2014. Aproveitando a paixão do Brasileiro pelo futebol nossos governantes roubam os bens públicos!

Funcionários terceirizados chegaram a tentar impedir a ação, pois estavam preocupados em realizar a mudança para a cidade administrativa. Depois de acalmá-los e garantir que o movimento não interferiria em suas atividades normais, restaram apenas caras feias, de quem vive à custa de favores no emprego público.

Funcionários Públicos concursados, soldados, cabos e sargentos da Polícia Militar foram solidários com os manifestantes ao saberem da legítima reivindicação. Todos foram unânimes ao reclamar da ingerência do Governo Estadual. A ocupação e a desocupação aconteceram de forma ordeira e não causou nenhum dano ao patrimônio público. Agradecemos a compreensão e apoio que recebemos de diferentes cidadãos que durante a manifestação também demonstraram a sua indignação.
Deputados do Bloco Minas sem Censura apresentaram sua solidariedade a manifestação.
Eles também estão pressionando o Ministério Público para investigar a licitação.



Em:
http://fritelix.blogspot.com/2011/05/movimentos-sociais-ocupam-predio-do.html

quarta-feira, 30 de março de 2011

Dilma assume compromisso de ajudar a encaminhar as reivindicações das 1.200 famílias sem teto de Dandara, Camilo Torres e Irmã Dorothy - Belo Horizonte/MG.



"A Presidenta Dilma recebeu Dom Joaquim Mol e Frei Gilvander (representando as comunidades ameaçadas de Despejo), para dialogar sobre o conflito social que envolve as  1.200 famílias sem teto (cerca de 6 mil pessoas) – com a prefeitura de Belo Horizonte e o Governo de Minas Gerais.

Os representantes expuseram para a Presidenta as principais informações sobre o conflito social instaurado em BH. Entregaram nas mãos de Dilma um Ofício assinado pelos representantes, um Documento com 7 páginas que relata as causas, faz diagnóstico e aponta caminhos para solucionar de forma justa e digna o conflito. Entregaram também 15 fotografias das 3 comunidades.

A Presidenta ouviu atentamente e manifestou apoio político e econômico para superar o conflito de forma justa e pacífica. Dilma disse que se o Governador Antonio Anastasia e o prefeito Márcio Lacerda desapropriarem as áreas, ela ajudará a financiar via Governo Federal a urbanização e melhoramento das 1.100 casas já construídas. Olhando as fotografias, a Presidenta Dilma disse: “Já são inicio de bairros organizados. Precisam ser melhorados e jamais derrubar as casas já construídas. Tem Av. Dandara, ruas organizadas...”

Dilma se comprometeu a conversar com o Governador Anastasia e dirá a ele o que assumiu conosco. Ficou também acertado que uma agenda de reuniões será estabelecida nos Ministérios das Cidades, na Secretaria Especial das Mulheres, na Sec. dos Direitos Humanos e com todos os órgãos do Governo Federal implicados.
Reiterou que o caminho deve ser o do diálogo e que tudo deve ser feito para se evitar um despejo, o que poderá resultar em massacre de proporções inimagináveis.

A questão de Dandara se resolve desapropriando a área. A desapropriação pode e deve ser feita pelo prefeito ou pelo Governador, pois se trata de um território que está no limite de três municípios: Belo Horizonte, Ribeirão das Neves e Contagem. Após a desapropriação, a Presidenta assumiu o compromisso de colocar dinheiro para a urbanização e melhoria das moradias já edificadas.

A questão das Comunidades Camilo Torres e Irmã Dorothy, no Barreiro, exige que o Governador Anastasia decida declarar a nulidade dos contratos que repassaram os terrenos, que eram até 1992, do Governo Estadual, mas foram repassados irregularmente empresas privadas. É isso que o Ministério Público em Ação Civil Pública. Tem amparo jurídico e ético. Após conseguir a reversão dos contratos, os terrenos voltarão ao domínio público e Dilma assumiu o compromisso de colocar dinheiro do Governo Federal para melhorar as casas e construir as que faltam.

Com o apoio da Presidenta Dilma, a bola agora está com o Governador Anastasia e como prefeito Márcio Lacerda."




Por: Gilvander Moreira - Frade da Ordem do Carmo, assessor da Comissão Pastoral da Terra.

Deputados defendem direitos das famílias permanecerem nas ocupações e a necessidade de solucionar o problema das moradias populares em Belo Horizonte







O risco de conflito entre moradores das ocupações Dandara, Irmã Dorothy e Camilo Torres, todas em Belo Horizonte, e os policiais que se dirigirem aos locais para cumprir ordens de despejo e de reintegração de posse foi destacado em reunião da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, na manhã desta segunda-feira (28/3/11). Moradores das ocupações alertaram que pretendem lutar com a vida para garantir a permanência nas ocupações.

Na tentativa de evitar esse confronto e resolver a situação das famílias, uma comissão formada por deputados, moradores e representantes da sociedade civil organizada deixou a reunião e se dirigiu, durante a manhã, a evento em Belo Horizonte com a presença da presidente Dilma Rousseff. O objetivo da comissão é conseguir o apoio do Governo Federal na luta pela permanência das famílias nas ocupações. O presidente da Comissão de Direitos Humanos e autor do requerimento para reunião, deputado Durval Ângelo (PT), também informou que uma reunião com o governador foi agendada para a tarde desta segunda (28), com o objetivo de discutir a situação.

O direito das famílias permanecerem nas ocupações e a necessidade de solucionar o problema das moradias populares em Belo Horizonte foram destacados pelos deputados que participaram da reunião. O presidente da comissão, deputado Durval Ângelo (PT), afirmou que as ocupações de terras urbanas acontecem porque há um grande déficit de moradia popular. Ele disse que as autoridades deveriam ter consciência que as pessoas das ocupações estão lutando pela sua felicidade, para garantir do direito à moradia.

O deputado Rogério Correia (PT) também destacou a falta de moradias populares em Belo Horizonte. Ele lamentou o fato de ser necessário recorrer ao Governo Federal para tentar resolver a situação das famílias moradoras das ocupações, sendo que, para ele, a prefeitura e o Governo do Estado já poderiam ter resolvido a questão.

O vice-presidente da comissão, deputado Paulo Lamac (PT), criticou a postura do Governo Estadual. Ele afirmou que o Estado em momento nenhum participou dos debates sobre a situação dessas famílias e não possui uma política adequada de construção de moradias em Minas Gerais. A deputada Liza Prado (PSB) também manifestou solidariedade pela luta das famílias.

O deputado Durval Ângelo lembrou ainda que já está agendada uma visita da Comissão de Direitos Humanos às ocupações Camilo Torres e Irmã Dorothy, no Barreiro. A visita acontece nesta quarta-feira (30), às 9h15.

Requerimentos - Na reunião foram aprovados requerimentos do deputado Durval Ângelo que tratam da situação das famílias moradoras das ocupações. O primeiro solicita que seja encaminhado requerimento à Polícia Militar informando sobre a obrigatoriedade em respeitar a legislação que determina que para qualquer reintegração de posse seja elaborado um plano a ser discutido com as entidades de direitos humanos. Os outros requerimentos são para que sejam encaminhadas as notas taquigráficas da reunião ao Ministério Público, ao governo do Estado, à PBH e ao Ministério das Cidades e para que o Ministério Público agilize uma ação pública em relação à ocupação Irmã Dorothy.

Presenças -
 Deputados Durval Ângelo (PT), presidente; Paulo Lamac (PT), vice-presidente; e Rogério Correia (PT); e a deputada Liza Prado(PSB). Além dos convidados já citados, também participaram da reunião o ex-deputado estadual Antônio Pinheiro; o vereador Adriano Ventura, de Belo Horizonte; o representante do Fórum Permanente de Solidariedade às Ocupações de BH, William Alves; e os representantes dos moradores das ocupações, Mayko Costa e Ideslaine dos Santos Pereira.

Responsável pela informação: Assessoria de Comunicação - www.almg.gov.br